Ainda te lembras dos tempos em que corrias descalca e franzina pelas ruas de terra batida? E de uns bracos eternos a rodarem-te doce e carinhosamente? Ainda te lembras do carreiro ladeado de história que te conduzia aquele lugar magico? À frente do qual se construiam cabanas quase inatingiveis com vista para o paraiso? E se corria desvairadamente por entre mato e ninhos em forma de jangada? E trepavas a arvores como se fizesses parte delas? Ainda te lembras de um ribeiro; porta para um jardim encantado? Com gargalhadas vivas fugir de mil caes…Ainda te lembras de chapinares em cada pedaco de agua que encontravas? De adormeceres embalada por sussurros que atingiam o ceu? De uma eira com cheiro a mimosas e a cedros? Da quelha das 1001 historias? Do cheiro a orvalho despreendido de pinheiros manhãzinha cedo a despertar num raio de sol a trespassar uma teia de aranha? Do cheiro da terra ressequida a receber a agua vinda das trovoadas no início das tardes de verao? E de correres descalça a saboreares cada gota que batia no teu rosto, no teu cabelo, no teu corpo? Ainda te lembras da casa abandonada refugio de muitos risos? E do fascinio que as mil cores das libelinhas sempre te fizeram sentir enquanto mergulhavas os pes no ribeiro da varzea? E do ninho de cucos nas bandas de la… e o prazer da caminhada que tinhas de fazer para chegar la? E de encontrares no monte de trapos dois olhos ternurentos? E de voares sem sentido nem direccao mas livre de tudo e de todos? E da tua rebeldia? Refresca-me a memoria!
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