A celebração do Dia Internacional da Mulher pretende chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que lhe são impostos.
Tenho para com este dia um sentimento ambíguo... se por um lado gostaria que não existe a necessidade de o celebrar, pois significaria que nos encontrávamos no tão desejável patamar de igualdade entre géneros, por outro não posso negar que me encho de prazer com o reconhecimento publico e merecido de muitas mulheres que este dia permite, mas mais uma vez se levanta a ambiguidade: gostaria que este reconhecimento fosse permanentemente, e não reduzido a um simples dia...
Correndo o risco de me contradizer, não posso no entanto deixar de mencionar neste dia Mulheres que me inspiram pela sua dedicação, força e coragem em sociedades onde o simples facto de ser mulher é muitas vezes (infelizmente) sinonimo de inferioridade, incapacidade...
A primeira mulher da África do Este a obter o grau de doutoramento (em biologia) e a primeira mulher africana a receber um Nobel da Paz (2004) - "pela sua contribuição em favor do desenvolvimento sustentável,da democracia e da paz" - foi a fundadora do movimento Cintura Verde, ONG ambientalista já responsável pela plantação de 40 milhões de árvores no seu Quénia natal, como forma de providenciar lenha e prevenir a erosão dos solos. Um projecto que lançou quase sozinha em 1977.
Aquando do seu divorcio de Mwangi Mathai, um politico queniano que se queixou de ela ser « demasiado educada, demasiado bem-sucedida, demasiado teimosa e demasiado difícil de controlar » ao ser obrigada pelo juiz a abandonar o nome do marido passou a chamar-se Ma(a)thai, demonstrando assim todas as qualidades referenciadas.
Além de activista ambiental é também defensora dos direitos da mulher, e foi por diversas vezes detida e violentada por defender eleições multipartidárias, o fim da corrupção e da politica tribal.
Conhecida como " o anjo do Burundi" pelo seu incansável trabalho em favor das crianças afectadas pela guerra, pobreza e doença.
Maggy de etnia tutsi decidiu implicar-se activamente em Outubro de 1993, quando deflagrou a guerra civil no Burundi. Ela havia já adoptado sete crianças tutsi e hutus, e ao sobreviveram aos massacres definiu como prioridade salvar as vidas de outras crianças.
Com a ajuda de amigos europeus organizou uma rede de centros para crianças traumatizadas, orfãs (as Casas Shalom) tendo ajudado já mais de 10 000 crianças.
Um dos seus projectos em desenvolvimento é a construção de uma maternidade que permitindo que jovens mulheres possam aprender e receber noções de higiene, afim de impedir as mães de morrerem durante o parto, evitando-se desta forma que os bebés se tornem orfãos.
Nobel da Paz em 1991. Consagrou a sua vida as gentes da Birmânia para que possam ter a liberdade que merecem.
Continua a bater-se pela democracia, apesar da sua prisão domiciliaria, imposta pela ditadura militar que governa o pais.
Em 1990 Suu Kyi, candidata pro-democracia ganhou as eleições permitidas pela ditadura militar com 80% dos votos, vendo no entanto ser-lhe negado o reconhecimento dos resultados e colocada em prisão domiciliaria ainda na véspera das eleições, assim como os restantes membros do seu partido foram posteriormente à vitoria, detidos.
Na luta pela paz e reconciliação Aung San Suu Kyi, une o profundo compromisso e tenacidade com a visão na qual o fim e os meios formam uma unidade singular. os seus elementos mais importantes são a democracia, respeito pelos direitos humanos, reconciliação entre grupos, não-violência e disciplina pessoal e colectiva.
Destemida na oposição à ditadura militar, demonstrando-o num incidente ocorrido durante a sua campanha eleitoral quando corajosamente enfrentou um destacamento de soldados alinhado à sua frente, prontos para disparar caso ela continuasse a descer a rua, o que ela fez.
Prémio Nobel da Paz, em 2003, pela sua acção em prol dos direitos humanos e da democracia, tornando-se a primeira mulher muçulmana e a primeira iraniana a recebe-lo.
Foi, em 1975, a primeira mulher a presidir a um tribunal judicial, sendo no entanto, em 1979, obrigada a abandona-lo em consequência da revolução iraniana, e às fortes limitações impostas pelos religiosos conservadores que então ocuparam o poder.
Actualmente, lecciona Direito na Universidade de Teerão, continuando a bater-se pelo respeito dos direitos humanos e das crianças.
Pela sua luta incansável ao longo da vida, por ter filhos tarde numa época conturbada da sociedade portuguesa assumindo a sua primeira gravidez não estando oficialmente casada com o meu pai, como pediam os bons costumes e a falsa moralidade.
Pela forma como nos soube acompanhar e evoluir em tempos de mudança e abertura a um exterior muito pouco conhecido, pela ânsia de conhecimento, pelas opiniões fundamentadas, por me ensinar o respeito pela natureza, por me ensinar a ler a terra e o céu, por querer sempre mais para nos, pelo sorriso, pela VIDA, pelo infindável AMOR!
A lista de exemplos é extensa.
Deixo apenas alguns ciente, de que estas mulheres têm a capacidade de representar milhares!
E os sorrisos hão-de continuar a esperar por elas..e por nos!