dimanche 3 mai 2009

espécie de porto de abrigo!

quero estar a desenhar
palavras para ti
porque sim
porque me entrego a ti
despida de preconceitos
livre de formas
estruturas e conceitos

porque te sinto
entregue a mim
entregue a paisagens
redondas, transversais
numa dicotomia
que encerramos um no outro

porque te agarro pelas mãos
e voamos
e do cimo dos outros
observamos a vida
com olhos de passaro
livres de formas
estruturas e conceitos

porque te descubro
sorrisos miudinhos
os olhos teus
entrando nos olhos meus
grandes
invasores
da imensidão que és para mim

e os olhos meus
absorvem os olhos teus
num misto de vergonha
e desejo de te prender
por instantes eternos
a descortinar sentires

porque num dia
de acordar ao contrario
atravessado e quadrado
te decido ignorar
e uma espécie de nostalgia
planta-se
leve e rapida
em mim

porque um pequeno nada
vindo de ti
me invade
e me devolve
a ti

me refresca
o cheiro do teu toque
quente e esguio

me enlaça
na tua voz
curta, rouca
nos teus dedos
grandes, delgados,

porque me entregas
a tua presença
no meio dos outros
cheio de brilho no sorriso
os olhos teus
entrando nos olhos meus
grandes
invasores
da imensidão que és para mim!

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